Guilherme Gondim Azevedo

Nossa história

Pouco se difunde que a Juventude Mariana Vicentina surgiu de um pedido de Nossa Senhora à Santa Catarina Labouré, durante as aparições de 1830, que além de legar-nos a Medalha Milagrosa, também, a pedido da Santíssima Virgem, permitiu que se constituísse uma Associação de Filhos e Filhas de Maria, afirmação a que se chega a partir dos documentos da associação.

O manual dos Filhos de Maria Imaculada (Edição Comemorativa do Centenário da Associação dos Filhos de Maria, Lisboa: Procuradoria de Nossa Senhora das Graças, 1949), diz:
"Esta Associação nasceu dum desejo formalmente expresso pela Rainha do Céu à jovem vidente, Catarina Labouré, que assim revelou nestes termos ao Padre Aladel, da Congregação da Missão, seu Diretor: 'Meu Pai, a Santíssima Virgem quer de você uma missão: Quer que comece uma ordem, da qual será fundador e diretor. É uma confraria de Filhos de Maria.'"
Segundo os escritos de Catarina Labouré, o pedido de Nossa Senhora se deu na aparição de 18 para 19 de julho de 1830.

A Associação das Filhas de Maria chegou na cidade de Fortaleza em 1867, somente para as alunas do Colégio da Imaculada Conceição. Segundo uma das ex-coordenadoras da associação, Magde Schaumann, a fundação se deu no dia 31 de maio de 1867 pela Irmã Bazet, Filha da Caridade, francesa e primeira diretora do Colégio, iniciando o movimento com apenas seis jovens. Aos poucos, foi aumentando o número de membros e então a Associação ficou dividida em duas seções: a primeira constituída pelas alunas e ex-alunas do Colégio; a segunda pelas alunas do Externato São Vicente de Paulo, da antiga Escola Dominical e pelas demais jovens de Fortaleza. As reuniões ocorriam nos quartos domingos do mês, após a missa das sete horas celebrada pelo capelão do Colégio. Havia o café da manhã servido no refeitório e em seguida, na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, era feita a chamada de frequência, depois se ouviam as palavras do diretor espiritual e as orientações da Irmã que acompanhava o grupo.

Os anos se passaram e outros grupos da Associação dos Filhos de Maria, já mista, com homens e mulheres membros, surgiam no Ceará: na Santa Casa de Misericórdia, em Fortaleza, no dia 1 de novembro de 1881; na Capela do Hospital dos Alienados, em Fortaleza, em dezembro de 1900; no Patronato Nossa Senhora Auxiliadora, em Fortaleza, no dia 1 de maio de 1928; no Recanto do Sagrado Coração de Jesus, em Fortaleza, no dia 7 de setembro de 1930; no Patronato Juvenal de Carvalho, em Cascavel, em 1937; na Igreja São Gerardo, em Fortaleza, no dia 25 de março de 1938; e na Igreja Bom Jesus dos Aflitos, em Fortaleza, no dia 8 de dezembro de 1938. Os registros históricos que a Associação possui nos dias de hoje são precários. A história oral, contada, revela que entre o final do século XIX e a primeira metade do XX haviam grupos de Filhos de Maria em considerável parte de paróquias e colégios católicos do Brasil.

Os grupos da associação, quase sempre, com estilo de vida devocional, entraram em crise com as conclusões do Concílio Vaticano II; ainda que houvessem grupos de Filhos de Maria para análise dos fatos, reflexão política e denúncia profética, estes fecharam com o conjunto de atos ocorridos durante o Ditadura Militar brasileira que iniciou em 1964 e encerrou em 1985, ou seja 21 anos de regime autoritário e de exceção que fechou as portas da sede nacional da associação no Rio de Janeiro e tirou de circulação o periódico "Centelhas" que era distribuído em todo o país. Mesmo sob ameaças, em 1968 a associação ressurgiu em algumas partes do Brasil com o nome "Movimento Marial",
fruto do discernimento dos responsáveis internacionais da Associação à luz do Concílio Vaticano II e das aparições de Maria à Santa Catarina Labouré em 1830.

Anterior à crise pela qual passou a associação na década de 1960, as religiosas Marcillac e Parisot, Filhas da Caridade vindas da França, se destacaram em 1953 na animação dos grupos do Ceará ainda dependentes do Regional Rio, o que resultou na criação do Regional Norte em 1957, com sede em Fortaleza. Em 1957 assumiram como assessores do Regional Norte a Irmã Inês de Barros Lima e o Padre Vicente Joaquim Zico; na época a revista "Benjaminas Unidas" circulava por todo o Regional e o primeiro Congresso Mariano de Fortaleza era promovido na capital cearense nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1958, então festa de Nossa Senhora da Assunção padroeira da cidade, fato marcante na vida da Associação que reuniu 53 associações marianas do norte e nordeste brasileiro. Durante o dia, os trabalhos do Congresso eram realizados no Colégio da Imaculada Conceição e à noite o Teatro José de Alencar abria suas portas para as sessões solenes. "Oração e Penitência" foi o tema geral do Congresso em comemoração ao centenário das aparições de Nossa Senhora de Lourdes à camponesa Bernadette Soubirous. Outros congressos que marcaram a vida da associação foram os de Natal e Fortaleza, este último novamente, em sua segunda edição, no início da década de 1960. Como Vicente Zico assumiu o ofício de assessor nacional da associação, então o Padre Luis Gonzaga de Oliveira exerceu a assessoria do Regional Norte por algum tempo, entregando a função em 1964 ao Padre Joaquim Dourado e em 1965 a Irmã Edvanir Lopes sucede Irmã Inês que foi enviada para estudos na França.

A crise se instaura e a Associação dos Filhos de Maria fecha o Regional Norte. As atividades foram retomadas nesta parte do país em 1975. Entre os dias 9 e 12 de dezembro de 1976 aconteceu no Rio de Janeiro um Encontro Nacional de Responsáveis do Movimento Marial que refletiu sobre a fidelidade da associação ao projeto libertador do evangelho de Jesus Cristo a partir de sua integração às CEBs - Comunidades Eclesiais de Base -. Os participantes do Encontro decidiram pelo redimensionamento da associação no país, a dividindo por províncias; surge aí a Província de Fortaleza. Participaram do Encontro o assessor internacional da associação padre Vicente Zico e o superior geral da Congregação da Missão padre James Richardson; fruto da presença do padre Richardson neste primeiro Encontro Nacional, o Movimento Marial em todo o país passa a se chamar Movimento Marial Vicentino em 1981 assumindo efetivamente o carisma de São Vicente de Paulo. A associação voltou a mudar de nome no Brasil em 1991 para Juventude Marial Vicentina e em 2011 para Juventude Mariana Vicentina.

Os anos passaram e a Província de Fortaleza seguiu assessorada pelas Filhas da Caridade e Padres Lazaristas: as irmãs Graça Ataíde e Rosilda Ferreira, em 1985; a irmã Leda Benevides, em 1991; as irmãs Eudóxia, Lúcia Leila e Leda Benevides, em 1995; a irmã Ana Gonçalves, em 2002; a irmã Francisca Lenice Sousa e o padre Francisco José Oliveira, em 2006; a irmã Regina Souza e o padre Emanuel Bonfim, em 2011; a irmã Patrícia Gomes, em 2013; e a irmã Regina Souza, novamente, em 2016.

Em 1995 a Província de Fortaleza era coordenada pelo Conselho que tinha Nelsione Sombra como presidente e os membros Cláudio, Adão, Andréa, José Wilson e Orlando como conselheiros; Otília Nunes, membro das Equipes Docente e agente de pastoral da Arquidiocese de Fortaleza também colaborou com as tarefas desempenhadas por este Conselho Provincial. Em 1997, Nelsione participou em Paris, na França, da Jornada de Responsáveis Nacionais da JMV com Gentil Pereira do Nascimento Neto então presidente da Província do Recife. Os presidentes que sucederam Nelsione foram: Durval Emanuel Batista Portela da JMV do Colégio da Imaculada Conceição, em 1999, que participou da II Assembleia Nacional da JMV Brasil em Mariana - MG no ano 2000; Orlando Felipe da JMV UNIJOCC - União de Jovens com Cristo -, em 2002, que participou da III Assembleia Nacional da JMV Brasil no Rio de Janeiro - RJ em 2003, do VI Encontro Nacional de Assessores da JMV Brasil nos dias 11 e 12 de outubro de 2004 em Curitiba - PR e acolheu a IV Assembleia Nacional da associação no Colégio da Imaculada Conceição em Fortaleza em 2005 onde Maria Gorette Paiva Timbó da JMV de Ipu foi eleita para representar o Brasil no Conselho Latino-americano da associação; Cleber Fábio Oliveira Teodosio da JMV do Instituto Imaculada Conceição de Bela Cruz, em 2006, que participou do VI EMLA - Encontro Missionário Latino Americano - na República Dominicana em 2008, acolheu a presidente internacional da JMV Yasmine Cajuste em visita a Província de Fortaleza durante os meses de abril e maio de 2008, participou da V Assembleia Nacional da JMV Brasil em 2008 na cidade de Recife - PE onde foi eleito vice-presidente nacional da Associação, e foi enviado como voluntário para o Secretariado Internacional da JMV em Madrid no ano de 2009; Marcondes Lima Azevedo da JMV do Instituto São José de Aracati, em 2009; Rogleson Albuquerque Brito da JMV da Paróquia dos Remédios de Fortaleza, em 2011, que participou da VI Assembleia Nacional da JMV Brasil em Belém no ano de 2012 onde foi eleito vice-presidente nacional da Associação; Bruna da Cunha Oliveira da JMV do Instituto São José de Aracati, em 2013; e Catarina Érika Morais Lima da JMV UNIJOCC - União de Jovens com Cristo -, em 2015.

A associação criada a pedido da própria Virgem Maria teve profícua existência em muitas paróquias e dioceses, constituída por moças e rapazes que escolhem Maria como modelo de vida.